
Rio Gadanha (2/2)
[Texto de Felix Rodrigues Barreiros (Ortografia e gramática preservadas) - 2009]
As linhas abaixo trazem reminiscências de minha infância e resgata a memoria de um dos mais aprazíveis lugares que tenho guardado na minha memoria, que seja um legado para a posteridade, o velho mais sempre atual: "Rio Gadanha"...

[...] Abaixo, um lugar que nós crianças muito gostávamos e tomar banho chamado de: Morcego. Dávamos pulos de cima arvores e penedos, era a nossa distração, de todos os jovens, aos domingos e dias de muito calor.
Do lado direito os Moinhos do Tio Zé Nora, aonde toda a família se dedicava aos Moinhos. A mais permanente era a boa moça chamada de Muda que todos respeitavam e era muito linda. Também o Mario, o Nelo do Nora, a Maria e o amigo Armando, residente em São Paulo. Esses íamos para o monte, ele com a burra cega que os ciganos enganaram o Zé Nora e eu com as cabras e ovelhas. A mãe deles era uma boa senhora, Rosa Fajarda.
Mais tarde esses Moinhos foram adquiridos pelo nosso amigo Adriano, pois diziam na época que ali seria feito uma discoteca, as margens do nosso Rio Gadanha. Pois era na época a coqueluche dos jovens, mas nada foi feito até hoje e tudo por lá se encontra abandonado.
Abaixo um pouco do Moinho, o Rio é um pouco estreito. Passa entre dois penedos que nós chamamos do Salto do Lobo onde passávamos de uma margem para a outra Rio. Abaixo chegamos aos Moinhos que nós chamamos de Moinho do Pontes, mais tarde parece que foram adquiridos pelo falecido Zé do Sendim, que eram trabalhados pelo Tio Álvaro do Pito e sua esposa Tia Maria. Era uma linda presa aonde nós muito gostávamos de tomar banho, mas além dos Moinhos tinha também um engenho de amassar o linho ou seja preparar o linho para ser utilizado pelas chamadas tecedeiras. Mas antes passava pela chamada espadeladas, que sempre eram de noite e era um grande acontecimento. Quem operava esse engenho era a Tia Maria do Álvaro, infelizmente falecida recentemente, pois nós crianças muito gostávamos de ver o tal engenho funcionando. Mais tarde esses Moinhos passaram a ser trabalhados pelo tal Senhor Bernardino e esposa Rita por um bom tempo.
Rio abaixo com suas curvas entre arvoredos, chegamos aos Moinhos do Tio Moises, gente muito boa com quem nós muito convivíamos, boa família com bons filhos como o nosso bom amigo e saudoso Armando. Homem muito útil pois dava jeito para fazer qualquer coisa que lhe pedissem, além de ser um bom barqueiro do contrabando, e era um bom sabedor de coisas antigas com quem eu muito gostava de trocar conversa além de conhecer quase tudo que se relacionavam as propriedades dos outros bom homem, bom marido e bom pai. Sem falar na mãe, Tia Teresa, mulher muito boa e muito amável para quem a procurava para qualquer coisa, ainda o bom Zé do Moises, a linda morena Isaura pois realmente era linda e bela moça que deixava suspiros para quem com ela convivesse.
Mas voltando aos Moinhos , aonde os clientes a maioria era Lapela e Lara, de onde eles descendiam, ainda tinha o engenho de serrar madeira onde nós garotos ficávamos longo tempo a ver serrar madeira, pois a força motriz era a água do nosso Rio Gadanha. A seguir, temos a ponte da Estrada Nacional 101 que a gente chamava de Ponte Nova. Aliás, naquele tempo a distração de todos os jovens e a nossa maior riqueza, o Rio Gadanha, era passear na estrada e ir até à Ponte Nova ver passar os comboios, tanto portugueses como espanhóis do outro lado do nosso Rio, o lindo Rio Minho. Mais tarde o Tio Álvaro do Pito e família montaram um Moinho elétrico, o que muito chamava a atenção pela rapidez como moia o milho. Quem mais tratava deste Moinho elétrico era a filha Augusta, talvez como fosse jovem tivesse mais aptidão para tal tarefa.
Abaixo um pouco, ja perto da foz com o Rio Minho, temos mais uns moinhos, os últimos que se chamavam Os Moinhos do Moca do Cortes em parceria com a Tia Libânea. Logo a seguir temos a nossa Ponte do Caminho de Ferro dos nossos comboios, nossa alegria de ir para lá brincar e ver os comboios passar, pois naquela época eram muitos durante todo o dia e a noite, mas como diz o ditado: tudo que é bom e lindo um dia acaba, e assim o comboio chega a Valença e não mais voltou a Monção. Será isso o que chamam de progresso? Não sei, mas eu guardo tudo com muita saudade, fez parte da minha infância. E assim chega ao fim o trajeto do nosso lindo Rio, como lindo também é o Rio Minho.
Hoje o trecho do comboio de Valença a Monção tornou-se numa linda eco-pista muito bonita, margeando o Rio Minho (ainda bem que lhe deram boa utilidade) para a nova vida moderna, pois eu e amigos também a utilizamos e fazemos parte, dessa modernidade apesar de meus 74 anos. Quero e peço a DEUS que me dê saúde para poder aproveitar essa linda paisagem e dela fazer uma boa qualidade de vida.
Pois bem, muita mais coisa se poderia falar sobre o nosso Rio, pois a história do Rio não se esgota nessas poucas linhas, deve ter sido maior, mas essa é a que eu conheço. Vou falar algumas pessoas ligadas aos Moinhos que cheguei a conhecer como a : Tia Guilherma,Tia Ismênia e Tia Rosalina que eu não tive o prazer de conhecer. Tia Guilherma mãe dos saudosos Sr. Felix, Pai da amiga Leia e Ercilia, não esquecendo minha madrinha Beatriz, o Sr. Joaquim, Pai da Ester e o Senhor Rodrigues, Pai da Tininha, o Laureano, avó dos nossos amigos Nuno e Alberto Soares e demais irmãos.
Mas voltando ao nosso Rio Gadanha, e uma pena como o Rio hoje e tão mal tratado, como já falei dava gosto ver suas margens tão limpas e suas águas cristalinas, hoje se olha para ele com grande sentimento de dor e saudade. Os jovens de hoje não tem idéia de como o nosso Rio era lindo e limpo, com tanta fartura de peixe de várias espécies, como: escalos bogas e trutas. Davam gosto ver Joaquim do Raro, lançar a chumbeira e vir carregada de peixe, meus amigos. Qual será o destino que lhe será reservado? Espero dias melhores, mais pelos cuidados de quem manda não se espera grande futuro.
"QUANDO A ÚLTIMA ÁRVORE TIVER CAIDO, QUANDO O ÚLTIMO RIO SECAR E O ÚLTIMO PEIXE FOR PESCADO, VOCES VÃO ENTENDER, QUE DINHEIRO NÃO SE PODE COMER."