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A gente de Troporiz (3/4)

[Texto de Felix Rodrigues Barreiros (Ortografia e gramática preservadas) - 2009]
Como todos sabem Troporiz sempre foi terra de muitos artistas, gente muito trabalhadeira, terra de muitos Moleiros como já falei, mas também de artistas como: Caçadores, Pedreiros, Carpinteiros, Marceneiros, Ferreiros, Sapateiros, Cesteiro e Costureiras...

A gente de Troporiz (3/4)

[...] Na Ponte da Igreja onde morava o Tio João Souza, casa que hoje mora o amigo Bento e família, do lado esquerdo os Moinhos da Tia Rosa de quem já falei.

A seguir a casa da Tia Agueda e o saudoso Zé da Agueda, gente boa e bom amigo, parece que ele também tocava concertina e Pai do Mario, Fernanda, Amadeu, Albertina e Carminda, infelizmente o Mario e o Amadeu já falecidos. Em tempos trabalhei com o Zé da Agueda .

A seguir a casa da Tia Julia Pita, Mãe das filhas: Emilia e Rosa, essas imigrantes no Brasil e uma deficiente que não me lembro do seu nome, pois ela quase não se via. Outro amigo de meu falecido Pai o Tio Zé Maçarico, pois muito gostava de lá ir com meu Pai encher o vinho. Diziam que ele tinha sido Guarda Republicano.

Abaixo a casa da Tia Umbulina da Zenha, boa senhora com o filho e meu bom amigo Casimiro Dantas, casado com a Emilia Mosqueira e Pais da Conceição, falecida casada que foi com meu grande amigo, Ramalho, Maria dos Anjos, Zinda e Lourdes.

Entre essas duas casas havia um depósito de caixões para defuntos que nós passávamos por ali correndo e nem para a porta olhávamos.

A seguir o Tio Zé Nobre, homem de muito respeito e muito querido na aldeia, esposa e filha Maria que casou com o amigo Daniel. Lado esquerdo a casa do Tio Emesto Pepo, homem muito alegre e cheio de anedotas. Me lembro das brincadeiras que ele fazia, pois era provocado pela garotada quando iamos á missa e ficávamos no coro. Pai da Tina, Pepa e Maria, casa ao lado Tia Maxemina da Vieita, Máe da Maria e Manoel Piloto, a Maria era ótima cozinheira e de fino trato, e suas filhas: Rosa, Antonio e minha comadre Esperança, moças muito lindas na Freguesia. Lado esquerdo Tia Felizbela de quem já falei e Tia Libanea de quem já muito comentei.

Casa do lado do meu bom amigo Abílio de Souza, que no meu tempo de criança era o sacristáo, e dona Rosa, esposa com os filhos : Abílio, falecido, que veio doente da tropa, belo rapaz ainda me lembro dele dançando no Riconorte, aonde namorou ou queria namorar a Mimi do Cunha da Vila. Era uma linda moça, assim como as outras irmás. Agora continuando o Bento, Alice, ja falecida, minha amiga Eliza, Maria do Carmo e Avelina, todos muito meus amigos pois ainda gozam de boa saúde.


Subindo o Caminho da Costa. Lado direito, a Casa do Joanas, Tia Isolina Máe do Joáo Cantoneiro, do Zé, Adáo, Daniel e Maria, Máe da saudosa Idalina, boa amiga e companheira de escola. Bem me lembro quando a Máe dela casou com o Zé Pala, filho do Joaquim Marinheiro de Lapela. O Joáo Cantoneiro, Pai dos meus amigos: Irene, Alberto, Virgilio e Zé Augusto, mais terde casou em Lapela e mais filhos teve. Ao lado a casa do amigo Zaragata e esposa Saudade, Pais da amiga Matilde e Domingos. Casa a frente o Tio Roque e esposa, gente de trabalho na lavoura, que eu muito gostava de ir a lavradas com ele e esposa , pois eram muito alegres com multas piadas .


Tio Roque era o carreteiro do meu Pai, pois além de fazer nosso trabalho na lavoura, muito gostávamos de ir encher vinho a Lara e demais Freguesias, pois ali se comia e bebia a vontade. Era uma alegria. Pai dos amigos: João do Roque, Manoel, Joaquim, Telinda, Laurinda e Firmina.

Tio Careiro e esposa Adelina, gente boa e humilde, a quem meu Pai também comprava o vinho. Pais de Irene, casada com o Cabo Lendias, Maria e amigo Zé, meu parceiro de escola e grande Presidente da Junta. A Irene era muito boa para mim, pois sempre me ajudava quando íamos levar o jantar ao meu Pai e ela ao marido, que trabalhava na fábrica do Henrique da Luz, em Mazedo.

Lado esquerdo a casa das irmãs do Tio Ernesto do Pepo, Tia Delfina e a outra irmã. Não sei qual delas era Mãe do Luiz Pepo e o Tio Faustino que eu conheci no Brasil. A casa das irmãs Tia Umbulina, Clara e Maria, Mãe do Pedro, Pai do nosso amigo Porretas, Miro, Esperança e Zinda. Ao lado a casa do Tio Armando Pinheira e esposa, boa costureira e Pai do nosso amigo Zé, que juntos andávamos na escola e a Conceição.

No largo do Couchinho, diversas casas, filhos de nossos amigos: José Sapo e Fátima, essa também andávamos juntos na escola. também a casa do Tio Domingos, o maior lavrador de Troporiz e sua esposa chamada de Morgada, e Pais dos bons amigos: João, Antonio, Necas, Saudade ,Conceição Rosa e a Virginia, moça linda que cedo morreu. Tio Domingos era um dos maiores caçadores de Troporiz junto com o Tio Bazorra.

Outra casa mais ao lado, do Tio José das Carvalhas, Pai do Tio Armando e Tia Rosa, Mãe da Fátima, minha contemporânea, pois andamos juntos na escola. O Tio Armando Pai dos amigos: Antonio, Nuno, Rosa casada com meu amigo Eduardo e um outro filho residente na África do Sul que não me lembro o nome dele.

Me lembro do Tio Carvalhas ter uma linda Égua, Avô que foi do Camilo e do Antonio com o apelido de "Miragaio". Tinha um lindo pomar com muita fruta.


No Largo do Couchinho, a casa onde morou a Tia Benvinda, Mãe do Virgílio e Zé Augusto. Me lembro do Pai dela, o Tio Ferreirinho, Pai da Tia Benvinda, apelidada "Benvinda do Bexiga" e da Tia Eva. Essa morava no Porto. Também me lembro do Evaristo, conhecido como "Evaristo Trolas", filho da Maria Salgado. Por último, na mesma casa lá morou Tio Roque e família. A Mãe do Evaristo foi por longo tempo criada do Capitão Rocha. Me lembro de ela ir na Lagoa com um carro de vaca e uma pipa apanhar água na nascente que ali existia, chamado de "Aguas do Córgo".

Subindo para o Lugar das Pedras, a casa do Tio Manoel da Zulmira, conhecido como "Manoel da Saia", casado com a filha do Tio Cavalaria (de nome Laurinda) e Pais da amiga Mariquinhas, casada com o amigo Nuno.

Do mesmo lado à casa da Tia Rosa das Carvalhas, Mãe da Fátima, casada com o amigo Sapo. Mais acima a casa da Tia Rosa Souza com o marido conhecido como "Tio Barrelas". Do lado esquerdo a casa do Tio Joaquim do Russo, meu bom amigo, casado com a Tia Conceição Souza. Pais do meu amigo e cunhado Aprígio, Antonio, meu amigo Diamantino, que morreu no Brasil, e Miana que foi criada com a tia em Lapela.

Lado de baixo à casa do Tio Zé Pito, casado com a Tia Morosa e Pais do amigo Laureano e Merosinha, casada que foi com o Martiniano que no Brasil andou e nada se sabe dele até a presente data, Pai do Zé Luiz e Virginia.


Lá em cima a casa do Tio Cabuco, homem que veio lá de Cambezes. Pai da Tia Maria e Rosalina.

Tia Maria com os filhos: Benjamim e Maria Cabuca, casada com meu saudoso Tio Mario falecido em Lisboa e Pai da Elizabeth e um outro chamado Geraldo.

Nós crianças quando passavamos no Carreiro perto da casa do Cabuco, com muito medo, pois ele não era lá muito amigo das crianças e nos corria a pedradas. Contava ele que um seu irmão matou outro irmão por causa de um rego dágua, no Supegal, com uma sachola.

Outra casa, a do Tio Barbeitos, Guarda Fiscal, com pouca fama de bom, mas era um bom homem casado com a Tia Maria. Ainda me lembro que quando se reformou montou uma taberna lá no mesmo lugar aonde a gente ia por lá aos domingos, mas também íamos lá comprar o leite, pois a esposa vendia leite. E se me lembro bem que o Barbeitos no dia de São Martinho fazia um magusto para nós da escola aonde para nós era uma alegria.


Voltando a baixo, seguindo o caminho, rumo a Rebouça, tinha a casa do Tio Felix da Ponte. Sei pouco a respeito dele, só sei que tinha um filho com o nome de Felix, imigrante que foi no Brasil, mas cedo foi embora e ai chegando começou a comprar cornos de boi para vender, mas nada foi vendido. Depois esses cornos andaram espalhados por todo lado, pois ele não vendeu ou morreu antes. O velho Felix da Ponte foi quem criou a Laurinda filha do Tio Roque, uma linda moça que muito bem cantava, Mãe do meu amigo Melinho.


A seguir a casa do Tio Adão do Pito, bom homem esse eu me lembro bem dele, Padrinho do meu amigo Adão, casado que foi com uma moça vinda das Taias. Não me lembro o seu nome. Pais da Rosinha, casada com o amigo João, conhecido como "Vilamea" e o Alberto.

A seguir a casa da Dona Assunção, senhora muito boa, de fino trato e de muito trabalho, pois labutava na lavoura para quem a chamasse. Casada com o Pessa. Não sei seu primeiro nome, mais ainda o conheci aqui no Brasil. Pais dos amigos: Alberto Ferro, Amandio (ambos meus amigos falecidos no Brasil) e da Alzira, casada com o amigo Carvalhais. O Alberto ainda manorou com a minha saudosa irmã Brasília, moça muito linda que faleceu no Brasil.


Do lado, a casa da Tia Lívia Pita, mulher de muito trabalho com o filho Amâncio, muito trabalhador. Me lembro bem dele, pois trabalhavam os campos da Pistola que pertenciam ao Moca de Cortes. O Amâncio, homem de boa estatura, que muito gostava de tomar umas canecas na loja do meu saudoso Pai. Era um paz de almas. Casou em Lara e o único filho morreu de acidente de moto.

Nas Eiras do Souto morava o amigo Charrasqueta e esposa, Tia Isolina. Me lembro de uma sua filha, Lucilia, falecida por causa dum canucho de milho no calcanhar. Veio a falecer de tétano. Também o Manoel, guarda fiscal, casado com a Lucilia Geraz e com os amigos seus filhos: Geraz e André, aonde eu trabalhei com o Tio César na construção de sua casa. Ao lado a casa do Toucinho, e o Zé do Toucinho belo moço que foi para a Espanha e por lá ficou. A casa do Tio João da Glória e esposa, homem muito bondoso e de fino trato. Pais da Esperança casada com meu primo Antonio Barqueiro. Pais do Sebastião, Necas, Maria da Luz e da Alexandrina. O Tio João gostava muito de ser mineiro. Ele e o Tio Vitorino.

Me lembro que quando arranjaram o Largo da Festa, antigo, onde hoje está o Cruzeiro, fiz um grande buraco na encosta do monte para o meu saudoso Pai Teotônio, lá vender o vinho. Com ele as crianças muito conviviam, pois a escola era propriedade dele e pegada a moradia. Ele era um bom proprietário, pois tinha também um alambique de fazer cachaça que nós, crianças, no inverno enquanto a professora não chegava íamos para perto do alambique nos aquecermos no calor e ver fazer a aguardente.

A seguir a casa do Tio Serafim do Pito, homem muito bom com as crianças da escola, pois naquela época a escola tinha muitas crianças e como é de se entender muita bagunça se fazia, mas com muito respeito para com os idosos. Pai dò amigo João do Serafim, falecido no Brasil, da Tina e da Maria, casada com o Manoel da Tia Libanea e Pais do amigo Zeca, Isabel e mais duas irmãs que não recordo seus nomes, mas creio que todos bons filhos


A seguir a casa do Tio Vitorino e esposa, Tia Maria Breia. Pais das lindas moças Idalina, Mãe do Serginho, Rosa, casada com o grande amigo Manoel Trelo e a Mariquinhas, casada com o amigo Cobrinhas.

O Tio Vitorino gostava pouco de crianças, pois quando jogávamos bola no caminho e a bola caia em seu quintal, na nossa frente ele pegava uma machada e cortava a bola em pedaços. Claro que as crianças não podiam gostar dele. Depois a esposa vinha nos dar a bola sem ele ver. Nessa casa mais tarde ali morou o Tio Amadeu Breia, vindo de Moçambique. Ainda apesar de idoso, fez historia na terra, homem muito bom de fino trato e bom contador de historias, muito amigo de meu Pai, pois passava as tardes na loja e quando eu fui a Portugal em 1965 fiz muita amizade com ele e passava a tarde inteira escutando suas aventuras.


Do lado, em frente, a casa do Tio Cavalaria e esposa. Homem muito bom e Pais do João, casado com minha Tia Rosa e Pais do Aires e Adão, e a Tia laurinda, Mãe da Mariquinhas casada com Tio Nelo da Saia, e o Zé casado em Cerveira, e a Maria, casada com o meu amigo Tomba, vindo de Troviscoso.

Me lembro até hoje que o Tio Cavalaria, fazendo aguardente, ficou uma frase aonde ele dizia: "Cachaça ao Cão", pois com certeza ele tinha bebido um pouco a mais e queria que o "cão" bebesse também.


Ao lado a casa do Picinhas, me lembro bem dele. Da Tia Alice, da Maricas e um outro casado em Viana. Ali foi criado com as tias o amigo Fernando Moraes. Bom amigo e muito inteligente, que aqui no Brasil veio a falecer e a Irmã Eduarda. Do Pai deles eu me lembro. O Tio Alfredo também falecido no Brasil.


A seguir a casa da Tia Adelaide, do Armeiro com a sobrinha Adelaide Mulata e outro irmão que estava em Angola e veio a falecer em Troporiz. Me lembro quando ele veio de Angola e foi morar na casa do Sr. Mario e esposa Generosa, no Lugar do Alho, e tinha um carrinho azul. Havia a piada do meu carrinho azul que até "dança a raspa”.

Indo para baixo a casa do Sr. Avelino Gonçalves Geraz, apelidado de “Alferes”, pois acho que foi militar, e esposa D. Maria Melo, casal muito bom. Pais que são do Mario, oficial militar aonde prestou varias comissões no Ultramar, que depois retornando mais tarde foi ser chefe do posto da Guarda Fiscal em Monção.

O Amandio, muito estudioso seguiu o rumo de Oficial de Fazenda, tendo atingido o posto máximo, em Viana do Castelo. Por muitos anos namorou minha irmã Lú, mas veio a casar com a amiga Cilinha e Pais do amigo Zequinha.

[Continua]


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